sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rihana

Rihanna: sadomasoquismo é o tema



Sadomasoquismo é o tema. Namoradinha da América (do norte), a jovem Rihanna adere ao copyleft tipo “nada se cria, tudo se copia” e apanha as arestas mais pontudas de Madonna e Lady Gaga para elaborar a estética de seu novo videoclipe, S&M. “Agora a dor é o meu prazer”, avisa a letra, tão explícita quanto possível para que não se corra o perigo de chocar demais e/ou restringir o acesso de Rihanna ao hipermercado de de massa ao qual ela pertence.

A garota nascida em Barbados e tornada mundial principalmente após o hit dance-meloso Umbrella (2007) mostra ter aprendido muito com o sucesso estrondoso da colega Lady Gaga nos últimos anos. A estética é sadomasoquista, mas vem toda forrada de cores pop-gritantes, estilo desenho animado, tática exacerbada principalmente a partir do clipe Telephone, de Gaga. Madonna, por sua vez, transparece no cenário rosa-berrante em S&M, deslavadamente semelhante ao fundo da capa do álbum pop-S&M Hard Candy (2008).

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“Paus e pedras podem quebrar meus ossos/ mas correntes e chicotes me excitam”, canta Rihanna, em versos que soam incômodos se o ouvinte se lembra da agressão cometida contra a popstar em 2009, pelo então namorado Chris Brown, ele também cantor e famoso. As referências ao sexo violento, no entanto, vêm tingidas de cores pop, pipocas cor-de-rosa, figurino de vinil-camisinha cor da pele, fantasia de coelhinha e outras “fofuras” para mascar. A mensagem “hard” se mistura com o açúcar “candy”; tal qual sua pátria de adoção, Rihanna é dominatrix, mas nem por isso deixa de ser menina boa e comportada.

As bolas S&M enfiadas nas bocas dos figurantes também são multicoloridas, num efeito estranho ao imaginário sadomasoquista real, todo fundada em sombras, tachinhas e negror. Na contramão, o modo como a estrela come morangos, sorvetes e (obviamente) uma banana é sexy-sugestivo, mas resulta brochante no confronto com a legião de bailarinos de ambos os sexos vestidos de óculos e ternos negros, solenes, sadomaso, ultracapitalistas.

Lá pelas tantas, Rihanna aparece toda amarrada, mas caracterizada como garotinha colegial, de maria-chiquinha e minissaia de bolinhas amarelinhas. De novo, a dureza e a doçura se embaralham, em sugestões de fetiche pedófilo que não a distanciam muito de nossa Kelly Key (“agora que eu cresci você quer me namorar/ baba, baby”). Chapeuzinho Vermelho parece ser o modelo, e, à parte o monte de lobos e lobas ao redor, não há inocência na menininha crescidinha “É tão bom ser má”, “posso ser má, mas sou boa nisso”, ela desafia.

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